AS ROSAS NÃO FALAM...


14/11/2014


SOBRE A PERGUNTA

 

 

- E quando eu vou te ver?

- Não tá me vendo?

- Tô um poquinho... Mas quero ver um tantão.

- Não tem mais o que ver... Já tá vendo.

- Então é só isso?

- Como assim?

- Só isso que você tem prá eu ver?

- É.

- Tá. Gosto do só isso... 

- Só isso é tudo o que eu sou.

- Gosto do tudo que o seu só isso é.

- Então, prá que quer saber quando vai me ver?

- Prá ficar olhando pro só isso que é o tudo de você.

 

 



Escrito por Rosa às 20h04
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DO BEIJO

 


- Sabe dar beijo de nariz?
- Nariz não beija.
- Beija sim, quer ver?
...
- Viu isso!?... Não beija!
- Você não sabe nem brincar.
- Você não sabe nem beijar.
...
- Como é então!?
- Você tem que fazer um bico com a boca. Assim ó!
- Ai que nojo!
- Nojo é o seu nariz.
- E faz um barulho molhado esse seu beijo.
- E daí? 
- Daí que o meu é melhor..
- Por quê?
- Porque ele faz barulho de beijo quieto.














Escrito por Rosa às 19h55
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11/11/2014


TEMPO

 

 


- Vai demorar prá eu ficar grande mamãe?
- Um pouquinho, sim.
- Quanto é o pouquinho?
- O tempo tem que passar prá vc crescer.
- E que horas o tempo passa?
- Ele tá passando filha, cada minuto ele passa.
...
- Esse tal tempo é uma coisa esquisita mamãe.
- Porque?
- Oras, ele passa aonde? Nem tô vendo...
- Tá vendo o relógio? Os ponteiros mexendo? É ele passando.
- Hummmm!... Me dá o relógio mamãe?
- Não. Esse aí é do seu pai.
- Ué, o papai ainda tá querendo crescer por quê?

 

 

 


Escrito por Rosa às 15h18
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DO (IN) PERFEITO


Sou dos contrários, dos avessos, daquele viés remendado nas barras desfeitas. 
Gosto dos opostos, da contra-mão, daquilo que saiu sem querer. Do riso na hora errada, que de tão errada, morreu de ser.
Por isso prometo que vou falhar. Porque a falha me desfaz, ou refaz um bocado de mim. A falha é a espinha nascida errada, em dia de festa, na ponta do nariz. 
É a desordem daquela vida métrica, cheia de ordens que não quis. 
É a ponta da faca que não fere; o galo cantando as oito da noite.
O cabelo desgrenhado que perdeu a moda. O martelo sem a foice.
São paredes brancas disfarçando rebeldias. 
É a feiura poética dos dias. 
O tapete gasto, a cama por arrumar. É a vertigem errada que feriu na carne. 
É sexo saltando grades, desalgemado de amor.
uma nudez desajeitada e desenganada de tudo que é dor.
Se viu? Não sei. Perdeu então. 
Tua mísera perfeição não deixou.
Por isso prometo que vou falhar.
E talvez venha a calhar o que não me concerta, 
na medida certa... 
Tão incerta de mim
.

 

 

 


 

 

Escrito por Rosa às 15h15
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02/11/2014


Sobre memórias infantis III

 

 

 

 

 

- Tem bala?
- Só duas.
- Uma prá mim, outra prá você!
- Não! As duas são minhas.
- Não deixo mais você pular o muro.
- E eu não sou mais sua amiga.
- Você é chata!
- Você também.
...
- Chatos fazem as pazes?
- Não. Chatos são chatos sem pazes.
- Tomara que as balas doam sua boca.
- Tomara que o muro caia.
- Me dá vai... ?
- Chato!
- Chata!
...
- Tá. Tó vai!
- Sabia! Não consegue ser chata prá sempre.
- Consigo sim! É que a chata do prá sempre fica chata só um pouquinho.

 

 

 


Escrito por Rosa às 11h15
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Sobre memórias infantis II

 

 

 

 

- Mas esses desenhos nas mãos são o quê vovó?
- São histórias.
- Você me dá?
- Dou as mais bonitas.
- As feias não?
- As feias não moram aí. 
- Gosto das feias. Onde elas moram?
- Acho que nos machucados... Não me lembro.
- Não é que quando o machucado se lembrar, você me dá também?
- Porque as quer?
- Ué vovó, prá ter as histórias feias mais bonitas que já vi.

 

 

 


Escrito por Rosa às 11h07
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Sobre memórias infantis

 

 

 

- Sou uma bailarina, não é papai?
- Claro que é. A mais linda bailarina!
- Mais linda de todas? Daquele mundo inteiro?
- Daquele mundo inteiro sim. 
- ... Mostra com a mão até onde.
- Tá vendo o céu? Daqui até lá.
- Mas e depois do céu, não tem nada?
- Acho que tem uns anjos, não é mesmo?
- Então quero ser a mais linda até depois do céu.
- Combinado! A mais linda bailarina, até onde moram os anjos.
- Mas papai, os anjos não são mais lindos?
- Com você dançando? Duvido!
- Duvida até onde papai? Mostra com a mão...




Escrito por Rosa às 11h03
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30/10/2014


SOBRE ANISTIA

 

Os juízes de primeira instância, são nomeados depois de aprovação em concurso público, venceram por seu mérito uma vaga que é muito difícil;

não devem nada a ninguém, não tem compromissos políticos com quem possa cobrar-lhes posteriormente a recíproca do valor; podem exercer seus cargos com altivez 

e independência. Não estou aqui a colocar dúvida quanto a competência e independência dos ministros do STF; questiono porém, 

enfaticamente, como faz inclusive boa parte da classe jurídica nacional, os critérios de escolha dos membros dessas altas cortes da justiça, 

sobretudo do Supremo... São absolutamente herméticos. 

Propriamente nem há critério, porque os alicerces constitucionais colocados como necessários, como o são o dos ministros

do Supremo, o alto saber juridico e reputação, como diz a Constituição, são etérios e praticamente vazios. Não se sabe, a bem da verdade, nem mesmo quais são as

pessoas que se candidatam ao cargo. Os jornais se põem a especular a respeito, quando os candidato preferem o anonimato. Também são desconhecidos os seus curriculuns,

assim como o trâmite de processo dessa escolha, e é entregue ao alvedril, onipotente; porque não há regras - do presidente da república.

E a sabatina que o indicado pelo presidente deve se submeter, perante o cenário federal, para posterior aprovação do seu nome em plenário, não funciona

entre nós, porque normalmente o partido do governo tem maioria no Senado, que se colocam então como ponte meramente sancionadora da escolha.

No entanto, são os ministros do Supremo nomeados que vão interpretar a constituição; e no final das contas o que é a Constituição? A constituição é, em última análise, o que o 

o que o Supremo disser que é. Nesse sentido, o Supremo comunga constituinte, e escreve cotidianamente por nós a constituição federal, para o critério comum. Infelizmente

muitos não percebem a importância do fato de não termos critérios decentes de escolha dos nomes que vão compor o STF. Tanto que pelo que me consta, esse tema não foi

objeto dos programas de governo dos candidatos dessa eleição para presidência, pelo menos, que eu saiba, não houve qualquer discussão a respeito. Certamente porque

os candidatos e a classe política, em geral, suponho, consideram assunto irrelevante, quando em verdade ele é crucial. 

Ou os políticos não querem perceber, para que também os presidentes da república não percam esse poder onipotente que tem nas mãos, ou seja, o de escolher quem querem, para compor o STF.

Agora, falando da Anistia. 

O STF em 2010, pela expressiva maioria de 8 votos a 2, interpretando a constitucionalidade da lei da Anistia, entendeu que esta lei

perdoava também os agentes da ditadura, que praticaram no período de sua abrangência, que vai de 1961 a 1979, todos esses crimes de lesa humanidade. 

Não cabe a mim fazer análise, e não é esta minha pretensão, tão pouco recrutar aqui, cada um dos fundamentos, para que possa pronunciar com propriedade,

mas se toda decisão judicial só tem sentido como parte da justiça para se realizar e se dar eficiência aos motivos constitucionais,

dentre os quais, os mais importantes, que são a proteção à vida, a dignidade da pessoa humana; como é possível? Como é possível compreender que a mais alta corte 

constitucional do país, interprete uma lei para anistiar torturadores, estupradores, assassinos, sequestradores, a mando da repressão militar. Como é possível?

Essa conversão da lei é, em verdade, a antítese da vontade constitucional, no meu modo de ver.

É, ao que eu percebo, a negativa da própria constituição.

Por outro lado a lei anistiou os crimes de qualquer natureza, conexos aos crimes políticos ou praticados por motivação política,

como diz o seu texto final. Veja-se, em primeiro lugar, nem a lei, nem o legistativo, teve o displante de dizer isso por escrito, e poderia fazer. 

Estavam fazendo a lei que anistiava a tortura, os torturadoress, e usaram o subterfúgio astuto, ao se referir a crimes de qualquer natureza "conexos" ou "relacionados a crimes políticos",

deixando assim uma margem de interpretação quando da sua aplicação pelo judiciário. 

Ou seja, fizeram a lei de tal forma, que não dissessem explicitamente da lei para os torturadores, mas que dissessem para o judiciário dizer, e o STF embarcou neste artigo, 

acabou por dizer o que o legislativo não teve coragem, ou vergonha de dizer explicitamente; porque poderia dizer: Foram anistiados os crimes de tortura, estupros, sequestros, mortes, desaparecimentos. 

Não disse, amparada exatamente neste plano ardil constitucional. 

Depois de analisar a decisão do Supremo, com cautela, sinto que se cometeu o maior engano da sua história.

Produziu um acórdão; que é um prêmio, uma homenagem à impunidade... Um convite à repetição, isso que é pior.

Tanto há repetição, que a tortura continua hoje, espalhada na sociedade; e a sociedade em si, não percebe, ou não quer tomar conhecimento.

Ela está, como se tornasse; se é que já não está, institucionalizada. 

Veja-se o que acontece nas nossas prisões, nas nossas cadeias públicas. O que significa colocar-se num local onde cabem 5... 20 ou mais pessoas? Isso é uma tortura. 

Obviamente, tanto é tortura, que o próprio ministro da justiça, se expressa a dizer que são masmorras.

Ele mesmo diz que tem vergonha do que acontece neste país, e eu também. Tanto que a justiça italiana, recusou a extradição do Pizolato, alegando que nossas cadeias

públicas são masmorras, e eles não vão deixar ele vir para ser torturado aqui em nossas cadeias.

O que ocorre, é que tais decisoes como estas do Supremo, tem repercussão. Elas entram no cotidiano da nossa sociedade, no arquétipo coletivo, e permanecem

ou se tornam o que nós vemos e convivemos diariamente. É a repetição do mal.


Em relação a tortura, se ela pode ser perdoada pelo Supremo em relação aos presos políticos, quem é que vai criticar a tortura aos presos comuns, com os quais

a sociedade dialoga com ódio.

Há uma nova ação proposta em maio, subescrita pelo mesmo professor Fabio Konder Comparato, a quem rendo homenagens, que questiona esta mesma interpretação

do Supremo para lei da anistia; agora, com fundamentos nos termos internacionais subscritos pelo Brasil, no julgamento pela Corte Interamericana 

dos Direitos Humanos; o chamado caso Gomes Lund, em que o Brasil foi condenado pela falta de investigaçao, julgamento e punição dos responsáveis por esses crimes

de lesa humanidade. Também decidiu a corte interamericana, que as disposições da lei da anistia, tal como interpretada pelo Supremo, impedientes à investigação

e ascenção de graves violações de direitos humanos, são imcompatíveis com a constituição americana; carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando obstáculo à

perseccão penal, nem da identificação e punição dos responsáveis por esses crimes praticados durante a ditadura. 

Esperemos que desta vez o Supremo possa rever sua interpretaçao

sobre a anistia e retirar essa nódula da história e da nossa história como cidadãos. Isso viola nossa liberddade pública de democracia.

O que fazer com isso? Só pedir que organizações democráticas, entidades; os jornalistas, que produzam programas, matérias de jornais, de forma que

possam ser nossa voz, porque a nossa dignidade como cidadão brasileiro tem que ser preservada. É preciso pedir, até gritar, para que vejam esta nódula. 

Ela nos pertence e nos tem infringido. 


Escrito por Rosa às 18h18
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04/08/2014


Ao meu pai

 

Por onde andará seus olhos? Foi dar uma volta, por certo. Foi até ali, perto daqui, ainda a pouco. Já não vê os degraus, nem lê notícias. Um amigo lhe estende as mãos, e outro e mais outro e não pode atendê-los até que lhes toquem os ombros e dêem um abraço, se desculpando pelo mau jeito. Talvez tenha tropeçado nas inesperadas e inquietantes desilusões daquilo tudo que sonhou pai. Talvez não queira mais ver. 
Um dia, já não dirá para mim que "tá com defeito" como disse hoje... Como se fosse um trilho a sair do lugar, um vagão a descarrilhar.
E olhando bem, ao lado do homem, talvez seja mesmo uma grande composição de ferros, histórias e música.
Mas a verdade é que não admito a vida lhe levar a visão. Não admito que seja em teu olhar, sempre de amplitude, que a força bruta dê o ar da graça. Justo a quem nunca usou de palcos e plateias para levantar bandeira em causa própria e banir a inadmissível e cruel dor, como se ela se dissipasse no tempo e fosse um cisco diante da tua inabalável persistência em não lhe dar o maldito valor. 
Não admito, e a minha não admissão de nada lhe reduz o fato duro... Nem me torna a fada dos contos infantis que a tudo cura; não sou nada. Aliás, não admitir que gente que a gente ama seja privado de qualquer coisa, só nos torna um ser humano pequenino e desprovido de poderes (confesso que passei até aqui sem querer nenhum)... Mas agora quero! 
Fico buscando um poema cuja revolução das palavras possa abrandar o espanto da vida que trapaceia.
Mas espantada fiquei ontem, observando como dribla dissabores. Sentado naquele plenário, olhos fechados, honrando o amigo querido, sua alma cantava, sua voz ecoava, como se nada e nem ninguém pudesse mais que a força de doar-se. 
Invejável alma!
E ao precisar do meu amparo pelas ruas, lembrei das tuas mãos nas minhas ainda pequena, e roguei a qualquer anjo que ali passasse que viesse soprar um milagre em teu anoitecer. Que lhe devolvesse luz onde não há o alcance das brechas.
Parece que até esse instante que escrevo ninguém me ouviu pai; e quase que imediatamente contra tua própria serenidade, me indispus com os deuses. 
E é o diacho essa coisa que faz com que querendo berrar um palavrão, a garganta grite lágrimas.
Resignar-se? Não,não vou resignar-me, não foi algo que ensinou, e portanto vou continuar brigando com os deuses. Foda-se!
Então, dá aqui tua mão... Vamos atravessar a rua agora. O sinal abriu. Não há carros, nem sirenes. Há esse silêncio de uma tarde que machuca. Teu braço no meu braço e duas vidas a conversar. 
- Podemos ir agora. Por aqui pai.
- Não se preocupa tica. Esse defeito há de passar. To segurando você.

 

 


Por fim, fizeste um poema... E foi a mim que salvou.

 

 

 

Escrito por Rosa às 11h18
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28/06/2014


Mãe

 



Lá em casa não sabíamos falar de amor, que sempre nos parecia uma coisa muito chique... E era quase certo de nos constrangermos com as demonstrações de afeto, por pura falta de prática, de jeito, de ginga... Mas nunca, e em hipótese alguma, pela ausência do sentir. E minha mãe, era quem mais se aproximava do toque, do olhar, da boniteza de expressar as coisas amorosas de carne e osso.
Quando ela fez 60 anos, em 1983, neste mesmo dia 29/04, ao abrir a porta de casa, vi que estava muito emocionada e recostada no sofá. Logo fui perguntando o que tinha acontecido e ela respondeu assim:
- Você já viu o filme “Em algum lugar do passado”? Pois passou na sessão da tarde e eu fiquei aqui pensando que bom seria se pudéssemos voltar no tempo como a senhora do filme. É difícil fazer 60 anos filha... A gente vai ficando velha, cheia dessas bobagens na cabeça. Olha que nunca liguei prá essas coisas não, mas é que 60 anos parece muita coisa sabe? Olho no espelho e o tempo passou tão rápido...
Ontem mesmo, essa mania que seu pai tem de colocar o rádio de pilha no meio de nós dois e ficar ouvindo notícia, não dá nem prá dar um abraço. Não to reclamando não, é que às vezes não consigo dormir. E ele coloca o rádio num volume... Acho que não ta ouvindo direito.
- Gostaria de voltar para algum outro lugar mãe? Um lugar que não fosse aqui?
- Não, claro que não! Daí não ia ter nenhum de vocês por perto. Imagina! Esquece isso, que você ainda é moça e não precisa ouvir essas queixas. Além do quê, acho que foi aquela música do filme sabe filha? Ô música linda!! Como alguém pode fazer uma coisa tão bonita daquelas?
(A chave vira na porta)
- Oi pai!
Ele entra com meia dúzia de rosas embrulhadas num jornal; e por pura timidez, não entrega à minha mãe. Coloca-as sobre a mesa e sai às pressas tirar o paletó.
- É prá mamãe pai?... Que lindas!
Me viro prá ela e pisco! 
... Finalmente ela sorri!

Na foto de hoje, minha mãe passarinha, com seu abraço de asas.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h14
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Rumos

 

 

... E ao sermos tocados por algum lugar, nunca mais seremos os mesmos de quando partirmos. O algum lugar generosamente nos modificará, e para sempre será o algum lugar sem volta em nós. 
Modificados, seremos um alguém muito parecidos com o que gostaríamos de ser enquanto não éramos. Contaremos histórias; as boas e as deitadas pelos cantos das sacolas... 
A arrebentação de quem um pouco morreu, e de quem um pouco nasceu antes de novamente partir.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h11
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Declaração

 

 

 

Hoje vou te doer, pois preciso. 
Serei apenas dois poemas:

Te amo!

Te livro!

 

 


 

 


Escrito por Rosa às 21h07
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ODE AO GATO

 

 

Tu e eu temos de permeio 
a rebeldia que desassossega, 
a matéria compulsiva dos sentidos. 
Que ninguém nos dome, 
que ninguém tente 
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza, 
pois nós temos fôlegos largos 
de vento e de névoa 
para de novo nos erguermos 
e, sobre o desconsolo dos escombros, 
formarmos o salto 
que leva à glória ou à morte, 
conforme a harmonia dos astros 
e a regra elementar do destino. 

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"

Com a companheira Lolô.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h03
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Sobre plenitude

 

 


Era tarde na roça e o dorso doía vagaroso numa leseira espessa.
Pela mesa do café, migalhas roncavam a sesta, num sem jeito desajeitado de quem nem quer preguiça de pão. 
E o chão, ah o chão... Rangia um chorinho. Uns sons namoradeiros, que pés enviesavam mansinhos.

Se há de ter cheiro a saudade, perguntou...
Um cheiro doce, alecrim de ternura. 
de quando a noite vai se deixando 
sobre a anca da brancura.

 

 


Escrito por Rosa às 21h00
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Histórias

 

 

 

Chamo de velho a tudo que gosto, e que tem vinco, avesso, vulto.
E reveste vida no curso das veias.

 

 



Escrito por Rosa às 20h57
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