AS ROSAS NÃO FALAM...


28/06/2014


Mãe

 



Lá em casa não sabíamos falar de amor, que sempre nos parecia uma coisa muito chique... E era quase certo de nos constrangermos com as demonstrações de afeto, por pura falta de prática, de jeito, de ginga... Mas nunca, e em hipótese alguma, pela ausência do sentir. E minha mãe, era quem mais se aproximava do toque, do olhar, da boniteza de expressar as coisas amorosas de carne e osso.
Quando ela fez 60 anos, em 1983, neste mesmo dia 29/04, ao abrir a porta de casa, vi que estava muito emocionada e recostada no sofá. Logo fui perguntando o que tinha acontecido e ela respondeu assim:
- Você já viu o filme “Em algum lugar do passado”? Pois passou na sessão da tarde e eu fiquei aqui pensando que bom seria se pudéssemos voltar no tempo como a senhora do filme. É difícil fazer 60 anos filha... A gente vai ficando velha, cheia dessas bobagens na cabeça. Olha que nunca liguei prá essas coisas não, mas é que 60 anos parece muita coisa sabe? Olho no espelho e o tempo passou tão rápido...
Ontem mesmo, essa mania que seu pai tem de colocar o rádio de pilha no meio de nós dois e ficar ouvindo notícia, não dá nem prá dar um abraço. Não to reclamando não, é que às vezes não consigo dormir. E ele coloca o rádio num volume... Acho que não ta ouvindo direito.
- Gostaria de voltar para algum outro lugar mãe? Um lugar que não fosse aqui?
- Não, claro que não! Daí não ia ter nenhum de vocês por perto. Imagina! Esquece isso, que você ainda é moça e não precisa ouvir essas queixas. Além do quê, acho que foi aquela música do filme sabe filha? Ô música linda!! Como alguém pode fazer uma coisa tão bonita daquelas?
(A chave vira na porta)
- Oi pai!
Ele entra com meia dúzia de rosas embrulhadas num jornal; e por pura timidez, não entrega à minha mãe. Coloca-as sobre a mesa e sai às pressas tirar o paletó.
- É prá mamãe pai?... Que lindas!
Me viro prá ela e pisco! 
... Finalmente ela sorri!

Na foto de hoje, minha mãe passarinha, com seu abraço de asas.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h14
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Rumos

 

 

... E ao sermos tocados por algum lugar, nunca mais seremos os mesmos de quando partirmos. O algum lugar generosamente nos modificará, e para sempre será o algum lugar sem volta em nós. 
Modificados, seremos um alguém muito parecidos com o que gostaríamos de ser enquanto não éramos. Contaremos histórias; as boas e as deitadas pelos cantos das sacolas... 
A arrebentação de quem um pouco morreu, e de quem um pouco nasceu antes de novamente partir.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h11
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Declaração

 

 

 

Hoje vou te doer, pois preciso. 
Serei apenas dois poemas:

Te amo!

Te livro!

 

 


 

 


Escrito por Rosa às 21h07
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ODE AO GATO

 

 

Tu e eu temos de permeio 
a rebeldia que desassossega, 
a matéria compulsiva dos sentidos. 
Que ninguém nos dome, 
que ninguém tente 
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza, 
pois nós temos fôlegos largos 
de vento e de névoa 
para de novo nos erguermos 
e, sobre o desconsolo dos escombros, 
formarmos o salto 
que leva à glória ou à morte, 
conforme a harmonia dos astros 
e a regra elementar do destino. 

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"

Com a companheira Lolô.

 

 

 


Escrito por Rosa às 21h03
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Sobre plenitude

 

 


Era tarde na roça e o dorso doía vagaroso numa leseira espessa.
Pela mesa do café, migalhas roncavam a sesta, num sem jeito desajeitado de quem nem quer preguiça de pão. 
E o chão, ah o chão... Rangia um chorinho. Uns sons namoradeiros, que pés enviesavam mansinhos.

Se há de ter cheiro a saudade, perguntou...
Um cheiro doce, alecrim de ternura. 
de quando a noite vai se deixando 
sobre a anca da brancura.

 

 


Escrito por Rosa às 21h00
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Histórias

 

 

 

Chamo de velho a tudo que gosto, e que tem vinco, avesso, vulto.
E reveste vida no curso das veias.

 

 



Escrito por Rosa às 20h57
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Pelo Tempo

 

 

Deve ter sido pelas tranças que ficaram as cirandas,
Já não importa...
Desde que dance vida e varandas
E o menino vento me escancare à porta.

 

 

 


Escrito por Rosa às 20h55
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DIA DOS PAIS



Lá pelos anos 60, sainha nova, sapato novo, prá esperar meu pai e pousar para a lente da máguina fotográfica... O máximo que consegui, além da braveza da meninice do sexo frágil, foi a cruzada de pernas que aprendi com todos os homens de casa. 
Talvez fosse um sinal de que um dia também me tornaria pai.
Feliz dia a todos os homens-pai, pais-homens, mães-pais, pai-mães. 

Especialmente prá você pai, que amo muito

 

 


 

 

 

Escrito por Rosa às 20h52
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